A Economia Transmontana: Setores Tradicionais VERSUS Setores Terciários

A Economia Transmontana:

Setores Tradicionais VERSUS Setores Terciários

A convite da Caixa Geral de Depósitos, Mogadouro, desloquei-me a Bragança para assistir a uma conferência intitulada “A economia Transmontana – Setores tradicionais VERSUS setores terciários”, que teve lugar no Teatro Municipal de Bragança que se encheu de pessoas vindas de vários lugares. Isto prova que quando se organizam conferências com temas importantes e atuais e com oradores de bom nível, as pessoas aparecem.

Na primeira parte da conferência foi gravado o programa da TSF Bloco Central moderado por Anselmo Crespo tendo como interventores Pedro Marques Lopes e Pedro Adão e Silva. Como convidado esteve Paulo Macedo, antigo Ministro da Saúde e Presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos.

O debate sobre o tema da conferência propriamente dito, foi um momento muito importante. Intervieram quatro responsáveis de empresas que desenvolvem a sua atividade em Trás-os-Montes sendo que uma delas era uma multinacional com empresas em Itália e em outros países da Europa.

É muito bom quando se houve um responsável de uma grande empresa com sede em Itália, José Luís Amaral, dizer que os recursos humanos a que recorre têm formação superior de excelente qualidade, com grande vontade de trabalhar e de evoluir. Destacou o papel que o IPB tem tido no desenvolvimento da região. Interveio também Isabel Ferreira, Diretora do Centro de Investigação Montanha, do I. P. de Bragança.

Como em toda a minha vida ativa fui Professor Universitário na UTAD e durante sete anos colaborador do IPB, senti um grande orgulho e tive um prazer enorme em ouvi-la. Da sua intervenção destaco uma frase, com a qual concordo plenamente: a ciência e o conhecimento têm que ser um motor essencial para o desenvolvimento de todas as regiões. Também destaco: os Centros de Investigação do IPB recrutam investigadores de grande capacidade porque lhes pagam bem e, muito importante, propõe-lhes projetos de carácter mundial que lhes faz sentir que a sua ação tem consequências na melhoria do funcionamento das empresas.

A Alexandrina Fernandes, responsável por uma empresa cuja atividade está relacionada, em parte, com os enchidos de carne bísara, mostrou como se deve encarar a administração de uma empresa. Quando o moderador lhe perguntou se tem constrangimentos por ser uma empresa do nordeste transmontano respondeu com enorme convicção, que não. Acrescentou que num raio de 300 km tinha muitas pessoas disponíveis para saborear os excelentes produtos que produz.

Referindo-se ao financiamento das empresas deixou um recado às instituições bancárias: quando analisam um pedido de financiamento devem ter profissionais que conheçam bem a especificidade da área de funcionamento de cada empresa. Só assim saberão avaliar corretamente o risco do financiamento e poderão decidir corretamente.

Sobre o Programa Operacional Norte 2020 falou Jorge Nunes. Apresentou a evolução estatística da região de Trás-os-Montes e sugeriu algumas medidas para combater a interioridade. De entre elas destaco: aumentar o nº de alunos nas instituições do interior; apoiar os centros de investigação, de inovação e de interface tecnológica; descentralizar competências para os municípios e desconcentrar serviços da administração central para o interior; utilizar os fundos europeus como instrumento de combate às assimetrias e incrementar a cooperação transfronteiriça e a ligação dos territórios ibéricos.

Conferências como esta são de louvar e devem acontecer cada vez com mais frequência. Só assim os empresários do nosso país, em geral, e os da nossa região, em particular, serão melhores empresários e, consequentemente, as empresas serão mais rentáveis.

Manuel Cordeiro

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