A Minha Infância

 

A vivência de um miúdo da aldeia é mais rica, mais solidária e permite uma melhor preparação para enfrentar os vários desafios que a vida nos reserva. Há meio século atrás, tudo isso era mais evidente e constituía uma realidade indiscutível.

A vida na aldeia permitia aos miúdos desenvolverem o espírito de aventura, solidariedade e de sacrifício que os preparava para as diferentes etapas da sua vida. Resultado de uma profunda reflexão sobre aquilo que foi a minha experiência, rica e diversificada, com momentos positivos e negativos, que transportarão alguns para a respectiva infância, por certo com muitos pontos comuns com os que fizeram parte do meu dia-a-dia, vividos com muita intensidade e naturalidade.

Por considerar que a vida de cada um contribui para o desenrolar da vida de todos, e por estar imbuído de um espírito de solidariedade e de troca de experiências quero partilhar, com todos os que me lerem, as experiências que vivi ao longo da minha juventude e que considero muito enriquecedoras.

Foi na aldeia de Remondes, concelho de Mogadouro, terra de Trindade Coelho e muitos outros homens bons, políticos ou simplesmente pessoas anónimas da sociedade civil, que tiveram em comum a contribuição para que Portugal fosse avançando, ainda que timidamente, no sentido do progresso. É uma terra bem metida no nordeste transmontano, com tudo o que de positivo isso tem: o frio e a neve do Inverno, a ondulação das searas de trigo e os campos, nomeadamente os lameiros, cheios de flores das mais variadas cores na Primavera, a paisagem agreste, a que eu chamo bela-horrível, no Verão e as variadas cores que as árvores apresentam no Outono quando se despem, para, de seguida, iniciarem outro ciclo da sua vida. 

Aceitem um abraço do,

Manuel Cordeiro

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