Ser Rotário – Um Opção Consciente

As facilidades que a minha profissão me tem dado permitiram-me conhecer muitos países do mundo, uns mais desenvolvidos e outros menos. Nestes últimos tenho aprendido muito. Tenho admirado paisagens excepcionalmente belas, mas também tenho visto tantas situações de pobreza extrema que me fazem pensar quão injusto é o mundo em que vivemos.

A atenção com que olho essas pessoas, a quem falta tudo, devo-a ao facto de ser rotário. Sou-o conscientemente o que me “obriga” a estar a tento a tudo o que me rodeia quando me desloco em viagem. Só assim adquiri uma sensibilidade que não tinha, para observar o mundo e procurar soluções que permitam amenizar os problemas dessas pessoas.

Que seria de muitas destas famílias, africanas e asiáticas, se não houvesse instituições como o Rotary? Ou como instituições religiosas como as 4 irmãs Dominicanas, uma filipina e outra de Oecussi, que lutam diariamente no colégio orfanato de Soibada para que não falte nada aos mais de 60 jovens que ali estudam? E os Leigos para o Desenvolvimento que desenvolvem trabalho de apoio social nos vários países de língua oficial portuguesa? E tantas outras ONG – Organizações Não Governamentais cuja actividade se centra na dignificação da pessoa humana de modo a minorar os enormes problemas de saúde e de fome que enfrentam no dia a dia?

Mas todas estas instituições só podem cumprir os seus objectivos se houver pessoas que estejam disponíveis a ajudar. Foi por isso que há 8 anos entrei para o Rotary Club de Vila Real. Fi-lo por me parecer que o movimento rotário me podia permitir pôr ao serviço de quem precisa, a minha capacidade de trabalho e de observação atenta da realidade que me rodeia. É claro que não posso dizer como Woodward, georgiano de nascimento, mas cidadão norte-americano, membro do Rotary Club of the Lady Lake Area, da Florida: “rotary tem sido uma grande parte da minha vida”. No meu caso são apenas 8 anos.

Com o título deste texto pretendo alertar para a existência de instituições e/ou movimentos onde cada um de nós pode dar muito do que tem. No caso do rotary o lema é dar sem pedir nada em troca. No entanto alerto para que não se é rotário só porque se está inscrito num clube e se pagam as cotas. Ser rotário é muito mais que isso.

É estar atento aos problemas de quem precisa. É chamar a atenção para situações de injustiça a que muitas pessoas estão sujeitas. É colocar ao serviço dos outros o nosso tempo livre, as facilidades que a nossa profissão nos dá. É disponibilizar o nosso saber e a nossa experiência profissional para amenizar os problemas de quem não tem capacidade de reivindicação. É ser voluntário nas Ligas dos Amigos dos Hospitais, nas campanhas de vacinação, na angariação de fundos para outras instituições, etc.

É colaborar com outras instituições, governamentais ou não, que comunguem dos mesmos objectivos que o movimento rotário.

É ser solidário e cooperante. É estar disponível para todas as actividades do seu clube, de acordo com as suas capacidades físicas e intelectuais. É visitar clubes de outras cidades e/ou países quando se desloca no âmbito da sua profissão. É procurar apoios para projectos do seu clube. É ser um bom profissional. É contribuir para que o lema anual do movimento se concretize. Este ano rotário de 2009 – 2010 é tudo fazer para tornar realidade (figura – lema) os sonhos de muitas crianças, muitos jovens e muitos idosos de todo o mundo.

Certamente muitos dos que lerem este texto, principalmente os que não são rotários, ficarão pensando que também poderiam dedicar muito do seu saber e do seu tempo livre a ajudar os outros. Com as facilidades de busca que a internet permite, torna-se muito fácil procurar informação sobre o movimento rotário. Basta procurar em www.rotary.org e terá muita informação sobre um movimento que vai fazer 104 anos em Fevereiro do próximo ano.

Manuel Cordeiro

Governador D 1970, 2009-2010

Publicado no jornal A Voz de Trás-Montes

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