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Colégio das Artes

Colégio das Artes, Coimbra

Em 1547 foi criado o Colégio das Artesou Colégio Real das Artes e Humanidades de Coimbra. Em 1548 foi o primeiro ano de funcionamento, conforme se pode ver em “A Reforma da Universidade no século XVI e a sua transferência para Coimbra”, texto disponível na Internet. As razões para a sua criação tiveram a ver com o facto de que os portugueses candidatos à universidade não tinham onde fazer a preparação para os estudos superiores e as instituições que havia não lhes ministravam um ensino com a qualidade exigida para um candidato à universidade. A alternativa a essas instituições nacionais estava em Colégios franceses, o de Sta Bárbara em Paris e o de Guiana em Bordéus. Resulta claro que só os oriundos de famílias abastadas e/ou os que conseguiam bolsas régias, podiam usufruir do estatuto de preparar a entrada na universidade num desses colégios, cuja qualidade de ensino era reconhecida em todos os países. O colégio criado por D. João III, foi dotado de um grupo de professores de grande qualidade nas áreas do ensino ministrado, destacando-se a gramática, o latim, o português, o grego, a história, a geografia e a matemática elementares, matérias básicas do ensino secundário de então. Após estes estudos seguiam-se os de retórica e humanidades, seguidos dos estudos filosóficos. O mais interessante deste colégio era o facto de que os alunos após os estudos filosóficos podiam seguir para o sacerdócio sendo-lhes ministrados, como é lógico, estudos de moral e dogma.  

 

Inicialmente funcionou próximo de Sta Cruz e depois na “alta” de Coimbra. O seu funcionamento era autónomo em relação à universidade. O seu aparecimento foi muito importante para a afirmação de Portugal na Europa pois colocava-nos lado a lado com os países mais desenvolvidos, no que ao ensino de humanidades dizia respeito. Os princípios que regiam o seu funcionamento eram baseados no humanismo cristão pelo que não espanta que em 1555 a sua direcção fosse entregue à Companhia de Jesus. A sua fama espalha-se por todo o país e, no espaço de alguns anos, foram criados colégios similares no Porto, Braga, Bragança, São Mancos de Évora, Funchal, Angra do Heroísmo e Lisboa. Durante os séculos XVII e XVIII disseminaram-se por outras regiões do país permitindo o acesso de todos os portugueses a um ensino de qualidade.

A importância que o poder monárquico dava ao Colégios das Artes está evidenciada no Alvará de 13 de Agosto de 1561, durante a regência de D. Catarina, que instituiu que “ninguém pudesse matricular-se nas Faculdades de Direito da Universidade de Coimbra, sem apresentar certidão do Colégio das Artes, confiado à Companhia de Jesus”. Em terminologia actual diríamos que este alvará deu o monopólio do ensino pré-universitário aos jesuítas.

Sendo um colégio de qualidade de ensino reconhecida por todos, não é de estranhar que o corpo docente fosse constituído por professores de craveira internacional. O primeiro responsável pelo colégio e seu fundador foi André de Gouveia, antigo Reitor da Universidade de Paris e responsável pelo Colégio Guiana em Bordéus, onde teve contacto com muitos alunos portugueses.

Há alguns anos que pesquiso sobre a genealogia da minha família. Em consultas feitas no Arquivo da Universidade de Coimbra sobre os alunos matriculados no Colégio das Artes, encontrei vários antepassados meus. Ali estudaram o meu tetravô materno que também é meu tetravô paterno, Nicolau Carolino Ferreira, mais tarde Juiz e Presidente da Câmara de Mogadouro, e os seus irmãos, Cândido, Cristóvão e Dionísio. Todos eles se licenciaram em Direito, sendo que Cristóvão era licenciado em Direito Civil e Direito de Cânones. Foi pároco em Prazins, Guimarães. Eram todos naturais da vila do Azinhoso. Eram filhos de José Manuel Ferreira, do Azinhoso e Ana Fernandes de Paradela. Também pertence à minha família, Lourenço Marcos Cordeiro, de Bemposta e também meu familiar e que se formou em Direito.

Imagino como seriam difíceis as deslocações da sua terra para Coimbra e regresso. Mas para muitos deve ter valido a pena.

Aceitem um abraço do,

Manuel Cordeiro