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Homenagem à minha mãe

 

“A VIDA é a melhor rosa que alguém pode dar”

No dia do meu 62º aniversário, 14 dias antes de a minha mãe fazer 93 anos, fiquei sentado entre “as duas mulheres da minha vida: a minha mãe e a minha esposa”. De facto assim é. Quem proferiu estas palavras foi uma dessas mulheres, a minha esposa.

Falar sobre a minha mãe é um prazer enorme para mim. Desde que me conheço habituei-me a vê-la sempre presente. Eu e os meus irmãos sabíamos que podíamos contar sempre com ela. A ela recorríamos fosse qual fosse o problema que tivéssemos. A sua atitude foi sempre de ouvir, compreender e ajudar.

Somos uma família de 7 irmãos, sendo que o Alfredo já nos deixou, vítima de acidente trágico de trator, em 1982, em que faleceu também a Solange, sua filha, de apenas 4 anos de idade. O relacionamento entre todos nós é de uma amizade plena, com tudo o que isso implica. Discutimos como todos os irmãos, mas a amizade e a consideração entre todos, tudo vence.

Não tenho dúvidas de que essa união se deve, em grande parte, a ela. Soube sempre aproveitar as qualidades que cada um de nós tem e ajudar-nos a minorar os defeitos.

Incutiu-nos o espírito de solidariedade. Ela foi a “enfermeira” da aldeia, a conselheira de todos os conterrâneos, a confidente de muitos deles. A sua palavra era ouvida por todos e os seus conselhos eram como ordens.

Qualquer pobre que chegasse à aldeia, seguia para nossa casa. Uns já o faziam regularmente e aqueles que iam pela primeira vez, havia sempre alguém que lhes indicava a nossa casa. Havia sempre comida disponível para todos. Muitas vezes também dormiam. Ajudei a fazer a cama a muitos deles. A mim e aos meus irmãos isso dava-nos um prazer especial. Víamos em cada um desses gestos que estávamos a minorar os problemas de muitos que não tinham onde dormir ou onde comer.

Foram muitas as pessoas da aldeia que a ela recorreram quando tinham algum acidente. Fez muitos curativos a todos quantos a procuraram. A todos atendia. Recordo uma senhora que passava os dias em nossa casa, onde comia, e regressava a sua casa à noite. Um dia pediu à minha mãe para que a deixasse dormir lá em casa. Com a anuência do meu pai, assim foi. Passou connosco o último ano da sua vida, a maior parte dele acamada. Só saiu quando morreu.

Muitos mais testemunhos aqui podia deixar sobre aquilo que tem sido a sua vida até hoje. Deixo aqui um episódio que retrata bem o modo como tem vivido para os outros.

Um dia um senhor da aldeia, já bastante idoso, entrou pelos portões da nossa casa. Andava com alguma dificuldade, mas dirigia-se em direção a ela, que lhe perguntou. Porque é que vem aqui se o senhor já anda com muita dificuldade? Ao que ele respondeu: como estou perto da morte venho agradecer-lhe o facto de me ter curado quando caí da minha burra.  Faleceu passados alguns dias.

Esta homenagem que presto neste dia à minha mãe  é extensiva a todas as mulheres que são mães. Elas são o suporte da família. E quão afastado anda o espírito de família dos lares portugueses. Provavelmente essa é uma das razões pela existência de muitos problemas existentes no mundo